Fringe: tem potencial, mas é um pouco confuso.
Contém spoiler, se você ainda não assistiu até o episódio 1×08 “The Equation”.
Não tenho nada contra episódios auto-contidos, afinal foi assim que a franquia csi começou. E certamente outras séries já utilizaram esse formato. Mas, ao assistir cada episódio de Fringe, a impressão que tenho é que não estão ligando os fatos para criar uma trama que se estenda ao longo da temporada. Em vez disso, há fatos aleatórios espalhados em alguns dos oito episódios que já foram exibidos:
- Depois de passar todo o primeiro episódio, “Pilot”, em busca da cura para John Scott, Olivia Dunham o vê morrer vítima de um acidente de carro. E sem conseguir saber mais sobre por que o agente havia traído o FBI.
- Scott é mencionado mais algumas vezes quando Olivia passa a ver e conversar com o agente que supostamente estaria morto. (Em “Power Hungry”?) Olivia também encontra um “escritório” onde Scott mantinha os arquivos das próprias investigações. Depois disso, nos episódios seguintes, há pouca ou nenhuma referência a John Scott.
- Nos primeiros episódios, a companhia Massive Dynamic aparece de forma bastante marcante. Até “The Cure” (1×06), no qual Peter Bishop aceita a proposta de Nina Sharp em troca de um informação importante.
- No final de “In Which We Meet Mr. Jones” (1×07), vemos que Mitchell Loeb, agente e amigo do diretor Phillip Broyles, apesar de ficar entre a vida e a morte por causa de um estranho parasita, estava em busca de uma informação bizarra: a resposta de “where does the gentleman live?” (onde o cavalheiro mora?). E a resposta é tão estranha quanto a pergunta: “little hill” (pequeno monte).
- No episódio mais recente, “The Equation” (1×08), enquanto Walter Bishop é mantido na instituição psiquiátrica de onde saiu no episódio piloto, vemos que há outro Walter Bishop!!!


O problema é que, até o momento, tudo isso é apenas aleatório. Já se foram oito de uma temporada com quantos episódios? 22? 23? O pior é se forem apenas 13, estaríamos muito perto do fim da primeira temporada sem nem ter chegado ao ápice da ação.
Até onde sei, um bom roteiro deve (1) apresentar os personagens, (2) começar a definir os principais problemas ou desafios dos personagens principais, (3) levar ao ponto principal da ação e (4) solucionar os problemas propostos ao longo da trama. As coisas estão funcionando assim em cada episódio, mas não na temporada como todo.
Na vida real as coisas sempre são mais complicadas, eu sei. E roteiros de verdade têm muito mais fatores com os quais os escritores devem se preocupar. Mas, a meu ver, Fringe está parada no início da fase 2 (começar a definir os principais problemas ou desafios dos personagens principais).
É aí que entra o papo sobre episódios auto-contidos que comentei no início desse post. CSI (o Las Vegas, que começou em 2002) iniciou com episódios em que toda a ação (crime, investigação e solução do caso) estavam contidos em 45 minutos. Tudo estava indo bem, mesmo assim foi necessário evoluir para casos mais complexos, cuja investigação de um caso é ainda mais elaborada. Um exemplo disso foi a sétima temporada com a trama do assassino das miniaturas; mas isso é assunto para outro post.
Outra série em que a combinação desses elementos foi bem feita foi a primeira temporada de Arquivo X, que assisti recentemente. (Quando a série estreou, em setembro de 1993, eu tinha seis anos. xD ) Havia poucas informações sobre o misterioso personagem Deep Throat, e ele não aparecia sempre. No entanto as poucas informações sobre esse personagem eram sempre consistentes e relevantes para o andamento da trama.
Até agora, em Fringe, não foi possível estabelecer uma ligação relevante entre os episódios. Se a idéia é que eles não estejam interligados por uma trama mais complexa, que essa trama seja tão imprevisível quanto a “ciência” apresentada, ou que essa história vai aparecer logo a seguir e fazer tudo se “encaixar”, só será possível avaliar se valeu acompanhar a série depois do season finale. Entretanto os dois fatos nos quais estou me concentrando para fazer minha avaliação são (1) a fama do criador de Fringe, J.J.Abrams, de inventar séries legais para — dizem — estragar nas temporadas seguintes e (2) sim, estou achando Fringe legal.























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